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ERIC HOBSBAWN
E MARIELLE FRANCO

Um militante da história e uma militante dos direitos humanos

ERIC HOBSBAWN, nasceu em Alexandria, no Egito, em 09 de junho de 1917 e faleceu em 1° de outubro de 2012. Autor de livros que inovaram a compreensão do mundo contemporâneo, publicou:  Era das Revoluções (1789 – 1988); Era do Capital ( 1848 – 1875); Era dos Impérios (1875 – 1914); Era dos Extremos: o breve século XX (1914 – 1991); Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito e realidade; Sobre História; História social do jazz; e Bandidos sociais, entre outros. Organizou uma coletânea publicada em Português pela Editora Paz e Terra sobre a história no marxismo se reportando a diferentes países do Planeta.

Como se pode observar acima, dominava temas como os movimentos sociais, jazz, artes plásticas, futebol e moda, além de ser um profundo conhecedor de economia. Sempre avesso a análises reducionistas e dogmáticas, possuía uma narrativa suave e sofisticada.

Para Hobsbawn a história se move pela ação direta do homem, e o papel do historiador seria buscar a compreensão destes processos a partir de várias vertentes. Seus escritos são imprescindíveis para a compreensão do séc. XIX, XX e também o início deste século, pois sua ultima obra publicada, “Como mudar o mundo” tratou da importância do pensamento marxiano no século XXI.

Com a morte dos pais, foi adotado pela irmã da mãe e pelo irmão do pai, que se casaram, com isso foi viver na Alemanha, entre 1931 a 1933, quando Hitler começou a governar a Alemanha. Seu tio, pai adotivo, judeu, antecipou a tragédia e migrou para Londres com toda sua família e patrimônio, o que o possibilitou ingressar no Curso de História na Inglaterra.

Em suas investigações evitava abstrações conceituais, orientando-se pelo rigor da historicidade, recuperando para a história a tradição dos estudos abrangentes, articulando as dimensões da economia, cultura, política e lutas sociais. Ainda na Alemanha que estava assolada pela crise econômica e social resultante da Primeira Guerra Mundial, começou a militar no movimento estudantil, Dizia ele: “Os meses que passei em Berlim me transformaram em alguém cuja a vida perderia natureza e o significado se não estive embalada por um projeto político” (HOBSBAWN, 2002, p.73).

MARIELLE FRANCISCO DA SILVA mais conhecida como Marielle Franco,nasceu em 27 de julho de 1979, na cidade do Rio de Janeiro, viveu e cresceu no Morro do Timbau, no Complexo da Maré (um conjunto formado por dezesseis favelas cariocas) Percebeu e reivindicou seu lugar enquanto mulher negra da favela. Foi aluna do curso pré-vestibular comunitário do Complexo da Maré, formou-se em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, sendo bolsista pelo Programa Universidade para Todos (ProUni).

Sua vida acadêmica seguiu com o mestrado em Administração Pública, pela Universidade Federal Fluminense, o tendo concluído em 2014, com a dissertação: “UPP, redução da favela a três letras: Uma análise da política de segurança pública do estado do Rio de Janeiro”. Traçou em sua monografia, uma análise política da intervenção e atuação da polícia no complexo da Maré e no estado do RJ. Retrata um profundo entendimento e amor a essa causa, a crítica ao modelo militarista e a manutenção da violência e do estado penal, mascarada por uma ideia “pacificadora” que nada mais é do que uma forma de controle e coação sob a classe trabalhadora nas favelas. Marielle colocava em evidência as pessoas, pobres, marginalizadas e violentadas por uma política estatal neoliberal. Para ela, a questão das políticas públicas e da segurança eram eixos fundamentais como um direito, o qual não se manifesta através das ocupações militares nas favelas. Elegeu-se vereadora pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) como a quinta mais votada nas eleições de 2016. Sua trajetória na câmara de vereadores e vereadoras foi marcada pela defesa de projetos para compilar dados sobre violência de gênero E como vereadora era voz constante de defesa dos(as) moradores(as) de favelas. Ou seja, como vereadora, ela carregava a pauta do movimento de mulheres. Foi ativista contra o preconceito racial, a favor da diversidade sexual e da segurança pública, especialmente nas favelas. Em sua história de vida, percebe-se que suas bandeiras de luta emergem diretamente de sua experiência pessoal.

A vida de Marielle Franco foi brutalmente interrompida por desafiar grandes estruturas. Sua execução foi um crime misógino e racista. Foi morta a tiros aos 38 anos em pleno exercício de seu mandato como vereadora no Rio de Janeiro. Foram disparados ao menos nove tiros, sendo que quatro destes atingiram a vereadora. Com ela estava o amigo e motorista Anderson Pedro Gomes. Ambos voltavam de uma atividade chamada Jovens Negras Movendo as Estruturas, realizada no dia 14 de março de 2018 no coletivo Casa das Pretas, no centro do Rio de Janeiro.

As bandeiras que ela defendia continuam a ecoar com a força da rua, em diversos espaços públicos e políticos, na voz de muitas mulheres e homens que se sentem representadas e representados por sua vida. Marielle Franco deixa um legado de luta, resistência e amor.

Na assunção por um projeto político emancipatório encontramos a linha que une a história desses dois agentes políticos, cada um em seu tempo, Eric Hosbsbawn e Marielle Franco.

A história é feita por homens, mulheres, crianças, ricos e pobres, governantes e governados, por dominantes e dominados, pela guerra e pela paz, por intelectuais e principalmente pelas pessoas comuns, desde os tempos mais remotos. A história está presente no cotidiano e serve de alerta à nossa condição humana de agentes de transformação do mundo, para torná-lo mais justo e solidário. Ambos, Hobsbwan e Marielle, cada um ao seu tempo, tiveram essa orientação.

Eric Hobsbawn, Presente!

Marielle Franco, Presente!