Texto de Luiz Carlos Moralles Caldas
Oficial de Justiça Aposentado
O "Poetinha Maior" Vinicius de Moraes era um hipocondríaco e pessimista de carteirinha. Para ele, tudo que estava ficando bom, só podia acabar muito mal. Prova disto é a sua frase conhecida por muita gente: "O amor é eterno enquanto dure" ou ainda "Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza".
Contam seus amigos que uma manhã saiu de casa as pressas atrás de seu médico particular. Depois de muitas andanças o encontrou numa conferência. Mandou alguém avisar ao médico que ele precisava muito dos seus serviços.O médico abandonou a conferência e foi até a portaria aonde estava Vinicius.
O médico logo foi dizendo: "O que aconteceu para você me tirar de uma conferência, Vinicius? " Aparentemente nada de grave. Mas veja bem doutor, eu dormi bem, acordei com muita disposição e muita fome, não sinto dor nenhuma e tenho contado de correr. Isto tudo não pode ser normal. Acho que alguma coisa grave vai acontecer comigo."
Este era o Vinicius. Tinha a liberdade do poeta, mas isso me fez lembrar da nossa imprensa. Telejornais e colunas de certos jornalistas que usam o famigerado "MAS" após qualquer boa noticia sobre o nosso pais.
Exemplo: O PIB do Brasil atual é o maior dos últimos 15 anos, "'MAS' se o governo não fizer isto ou aquilo tudo irá por água abaixo".
Outra: "O povão está comprando como nunca, as lojas estão "bombando" de tanto lucro,"'MAS' isto pode acabar em endividamento"... E por ai vai.
* Texto originalmente publicado no blog Lado B